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O fantástico mundo do Saxofone

Conheça toda a família do saxofone
Você conhece o saxofone? Tem certeza? É um instrumento popular? Erudito? De jazz? Na realidade, o saxofone é um instrumento bastante conhecido, mas, ao mesmo tempo, desconhecido. Embora muitas pessoas já tenham ouvido o som do saxofone na música popular, e até mesmo no jazz, poucas ouviram um concerto para saxofone e orquestra, por exemplo. Muitos conhecem Kenny G e já ouviram falar de Charlie Parker e John Coltrane, mas as múltiplas das possibilidades desse versátil e magnífico instrumento permanecem para muitos um mistério. Eu, como clarinetista amador evangélico, ouvinte principalmente de música clássica e principiante em relação ao jazz, posso dizer que o sax é adorado no mundo dos jazzistas, mas sofre um certo preconceito por parte dos ouvintes de música erudita. Na realidade o saxofone é considerado por muitos um instrumento popular e sempre esteve à margem do repertório clássico e, pelo que consta, também por razões políticas. Esse instrumento, de timbre também extremamente clássico, além de ter sido aproveitado por Ravel (um dos mestres da orquestração) em seu Bolero, por exemplo, (em que utiliza dois saxofones: o soprano e o tenor), foi também admirado por ninguém menos do que Hector Berlioz, outro mestre da orquestração da história da música clássica ocidental. Os saxofones mais conhecidos, que grande parte dos ouvintes de música instrumental e clássica, músicos amadores, semi-profissionais e evangélicos conhecem, já viram e ouviram, dos quais sempre se ouve falar são o sax contralto em mib, sax tenor em sib, sax barítono em mib e sax soprano em sib. O soprano é o menor e mais agudo dos quatro, que são os mais conhecidos da família.
Porém, o que pouca gente sabe é que o primeiro dos saxofones construídos foi o... sax baixo! Sim, é ele, o sax baixo , o “pai dos saxofones”. Afinado em sib, é maior e mais grave do que o barítono, soando uma oitava abaixo do sax tenor (sua nota mais grave é o sib 0 grave - equivalente ao sol# uma OITAVA ABAIXO da corda sol do violoncelo!). Considerado por muitos um dos poucos instrumentos “inventados”, ou seja, que não teve antecessores, e sendo um instrumento “jovem”, o saxofone provavelmente foi criado a partir do clarinete baixo (clarone) – que vinha sendo aperfeiçoado por Adolf Sax – e do oficleide , predecessor da Tuba, família dos saxhorn (também patentiados por Adolf Sax). A adição da boquilha da clarineta baixo ao oficleide teria gerado o sax-baixo.
A primeira vez que o vi (o sax-baixo) foi quando estive na Bahia, em um ensaio da igreja que eu freqüentava, a Congregação Cristã no Brasil (atualmente freqüento a Batista). Depois tive a oportunidade de ouvir esse instrumento mais de perto na orquestra da igreja em meu bairro, e fiquei encantado com a sua sonoridade, potência e profundeza dos timbres graves. Era um sax-baixo ampliado até o Fá# 0, que é, na prática, nota mais grave da Tuba (afinada também em sib). De som muito mais grave e poderoso (e menos melodioso) do que o do sax barítono, o sax-baixo é de timbre mais grave que a tuba, e suas notas soam tão graves quanto aquelas emitidas por um contrabaixo (da família dos violinos) ou um por um contrafagote. E é extremamente belo também no registro agudo. O seu tamanho impressiona. A sua campana é do tamanho da campana do bombardino – mas, em comprimento, o instrumento é maior do que a tuba.
O sax baixo é tão raro que é pouco conhecido até mesmo entre músicos profissionais. O saxofonista Flávio Corilow, por exemplo, dedica-se ao sax desde 1983 e começou a atuar profissionalmente como músico em 1989. Nesses 16 anos de estrada e até recentemente, entretanto, jamais havia visto um sax baixo ao vivo e em cores. Esse é um instrumento esquecido. Praticamente não aparece na orquestra sinfônica. Tem sido utilizado no jazz. No Brasil, utilizado em algumas formações militares e do Exército e, principalmente em orquestras sacras, começa a aparecer nas orquestras da Congregação Cristã no Brasil. Edson Tavares Guarnieri, ex-metalúrgico, membro da CCB, vem construindo esses raros instrumentos desde 1999 e, desde então, esse instrumento está em ascensão no Brasil. Há sete anos havia apenas 46 desses instrumentos no país. Hoje, já existem outros 31 saxofones baixos espalhados por vários estados brasileiros, todos fabricados da empresa criada pelo ex-metalúrgico, a Lopes Instrumentos Musicais, localizada no Parque Santa Bárbara, em Campinas. Richard Kennedy, construtor e músico amador, também é membro da Congregação Cristã do Brasil e, durante 18 anos, tocou sax alto. Há cerca de dois anos, comprou um sax baixo da Lopes Instrumentos Musicais e desde então, dedica-se ao novo instrumento. Ao tentar matricular-se no Conservatório de Tatuí, um dos mais respeitados do Brasil, Kennedy foi admitido sem ter que passar sequer pelo processo de avaliação exigido pelo Conservatório! “É que eles nunca tinham visto um sax baixo antes e estão muito interessados em desenvolver uma metodologia própria de ensino para este instrumento”, afirma o músico. “De acordo com eles, desde a inauguração do Conservatório, esta é a primeira vez que aparece um aluno de sax baixo por lá.” E, acreditem, há um saxofone ainda maior e mais grave do que o sax baixo!: o sax contrabaixo. Em mib, soa uma oitava abaixo do sax barítono.
O saxofone foi patenteado por Adolph Sax em 1846 incluindo 14 variações: Sopranino em mib, Sopranino em fá, Soprano em sib, Soprano em dó, Alto em Mib, contralto em fá, tenor em Sib, tenor em dó, barítono em mib, barítono em fá, baixo em sib, baixo em dó, contra-baixo em mib e contrabaixo em fá. Porém, Adolf Sax nunca ficou rico. Devido ao seu sucesso, os concorrentes, de olho nos lucros, lançaram uma tremenda campanha contra ele. Entre outros golpes, acusaram-no de ter roubado a idéia do saxofone, subornaram músicos para boicotar os seus instrumentos e fizeram com que os compositores deixassem o sax à margem das salas de concerto. Adolph sobreviveu aos ataques até que, em 1870, sua patente expirou e qualquer um pôde fazer saxofones. Sua fábrica então faliu. Duas vezes ele declarou bancarrota em 1856 e 1873. Muitos processos foram movidos contra ele e passou grande parte da sua vida em batalhas judiciais, gastando assim todo o seu dinheiro. Aos oitenta anos de idade e falido, três compositores se sensibilizaram (Emmanuel Chabrier, Jules Massenet e Camile Saint-Saens) e solicitaram ao Ministro francês de belas artes que lhe ajudasse. Uma pequena pensão foi dada, a qual lhe garantiu uma ajuda nos seus últimos anos de vida. Antonie Joseph, conhecido como Adolphe Sax, morreu no dia 4 de Fevereiro de 1894 com 80 anos de idade.
“O Fantástico Mundo do Saxofone” foi desenvolvido pelo clarinetista e saxofonista Anderson Paiva. Acesse mais em http://mnemosina.blogspot.com/ imagens: http://www.jayeaston.com/
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