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Saiba como se expressar na música erudita

Abrimos a página de uma partitura musical ou um hino de sentido sacro, olhamos a fórmula de compasso, aguardamos a orquestra ficar pronta e entramos na primeira nota com o som do nosso instrumento... Engana-se quem pensa que esta é a única atitude do instrumentista. Este artigo traz dicas importantes.
Fique atento: Você se lembra do compositor?
Quais emoções o composi tor quis passar com a transformação de seus sentimentos para a arte musical na partitura? Foi amor, tristeza, alegria, pesar? É de louvor ou é de súplica? O quê, como, e por quê? Se for uma música (melodia e harmonia) erudita com o objetivo de exaltar a Deus, é sacro. E assim, estamos certos de que o compositor não quis gritar, sair correndo, desesperar-se por algo, expressar raiva ou ódio, nem tampouco criou algo vazio ou improvisado. Porém, ele fez tal partitura com atenção, equilíbrio, dividiu vozes e sons, escolheu a “cor” do som com tonalidades e acidentes, ouviu críticas e sugestões, adaptou sons e combinações sonoras na harmonia, tocou e alterou repetidas vezes o que compôs antes de concluir, refez tudo com novas idéias, e enfim, ele termina a obra!
Tudo isto, muitas vezes, fazem parte de quarta ou cinco pentagramas, divididos em quatro vozes. Isto é história, isto tem história. Interpretação é respeitar o compositor, sua história e seus objetivos. Tudo isto é a estrutura, o desenho da música. E esta expressão é de responsabilidade do músico para dar a formação com sons musicais regulares, definidos e afinados, conforme o seu ritmo, melodia e harmonia. Conclusão: Lembre-se do compositor. Avalie o que é que você vai interpretar e toque interpretando o que lê. Não toque simplesmente uma partitura. Expresse o sentimento, isto é arte musical.
Caminhos para a interpretação
Você deve sozinho escolher os caminhos para a interpretação, dividindo as emoções e organizando-as com a sua sensibilidade (e não com sua técnica). Estas soluções para a interpretação musical são frutos de inspiração, imaginação e intuição do ser humano; e por isto a maneira de “fazer / tocar” não pode ser ensinada ou determinada por meio de métodos. A liberdade é sua! Escolha os seus parâmetros pessoais. Para entender esses caminhos é preciso pensar na estrutura física do ser humano. O lado esquerdo do cérebro é responsável pelas artes, nossas emoções (raiva, dor, medo, luto, tristeza, felicidade e amor), a criatividade e a imaginação. E agora, se você aprender a chorar ou a cantar igual seu amigo; você fez um aprendizado com uma técnica, você planejou fazer. E praticando isto você está usando o lado direito do cérebro, que é responsável pela técnica de um aprendizado específico. E por isto, a interpretação musical deve ser espontânea e sem aviso prévio.
Na música usamos várias técnicas e metodologia – sob o comando do lado direito do cérebro – para aprendermos a técnica (matemática de tempos, contagem, afinação), o instrumento (tocar, montar a palheta na boquilha, raspar palhetas, consertar), as articulações (legato, dinâmicas, duração, volume, crescendo diminuindo). Use materiais de apoio (partituras, áudio, vídeo) para desenvolver o bom senso e as emoções (lado esquerdo). É muito importante, na arte musical, escolher como combinar as emoções e transportar estes sentidos para o instrumento musical usando a música. Nós temos alguns aspectos de uma partitura musical para analisar, e sobre eles aplicar as nossas emoções – sob o comando do lado esquerdo do cérebro – usando toda inspiração e imaginações pessoais. Avalie os itens a seguir e tire suas próprias conclusões. Obra: Analisar as frases da partitura, moldes, articulações, ascendências, andamentos, respirações e etc. Frases: Verificar os pontos importantes para aplicar um efeito, melhor nota para um trinado, etc. Motivos: Escolher o tipo de sentimento (um ou mais) com um motivo para aplicar (se você está alegre, toca alegre, etc). Articulação de notas musicais: Escolha de momento de atenção importante (ex: aquela nota ou passagem que encanta, alegra, confunde).
A importância da música
O ser humano possui em sua vida sete “dimensões”: física, espiritual, intelectual, social, profissional, afetiva e familiar. De todas as realizações do homem, a arte é a que possui mais influência em todas essas dimensões da existência humana. E de todas as artes, a mais antiga é a Música. Assim como o percurso da história do homem se desenvolve na medida de milênios, do mesmo modo a arte, expressão espontânea, necessidade da humanidade, floresce em tempos igualmente amplos. É uma exigência a tal ponto irresistível que não há momento do viver humano, por mais árduo que possa ser, que não se empenhe na criação artística.
A música é nossa mais antiga forma de expressão, possivelmente até mais antiga que a linguagem. De fato, a música é o homem, muito mais que as palavras, pois estas são símbolos abstratos. A música toca nossos sentimentos mais profundamente que a maioria das palavras e nos faz responder com todo nosso ser. Muito antes de o ser humano aprender a pintar, esculpir, escrever ou projetar algo, já sabia a produzir e apreciar os sons. Obviamente esses sons seriam hoje considerados apenas ruídos, mas considerando que “música é a arte de manipular os sons”, o que o homem primitivo produzia era música, ou um “embrião” musical. O “instrumento” musical mais antigo que existe é a voz humana. Com ela, o homem aprendeu a produzir os mais diversos sons, e a agrupar esses sons, formando as primeiras linhas melódicas. Depois inventou os instrumentos musicais, que se multiplicaram e evoluíram ao longo da História. Muitos destes desapareceram, e a Música mudou muito em todo este tempo. Mas o gosto do ser humano pela música permanece intacto.
Para se estudar a Música, é preciso antes saber o que é música. “A música exalta o espírito humano, é criativa, auto-expressiva e permite a expressão de nossos pensamentos e sentimentos mais nobres.” Use este material como apoio do processo educacional da postura do estudante de música. Todos os conceitos e artigos sobre música atendem diferentes aspectos do desenvolvimento humano (físico, mental, social, emocional e espiritual), favorecendo o bem-estar e o crescimento das potencialidades do estudante, pois fala diretamente ao corpo, à mente e às emoções. Você que é estudante de música, lembre-se que ao estudar qualquer instrumento, deve fazer com vontade e determinação; desempenhando o melhor de si com seriedade; lutando para aperfeiçoar o seu aprendizado na música e a cada dia dividir os seus conhecimentos no grupo de estudos. Assim teremos a possibilidade de nos aperfeiçoar como pessoas, com atenção a importância do respeito e consideração pelo seu próximo.
* Marcos Oliveira é músico e empenha-se em divulgar técnicas gratuitamente. Fale com o autor: marcos_oboista@yahoo.com.br
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