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Osesp encerra temporada

Osesp encerra temporada ao lado de Mônica Salmaso e Grupo Pau Brasil
Concertos serão na Sala São Paulo e Praia do Gonzaga, em Santos

Nos dias 18, 19 e 20 de dezembro, a Orquestra Sinfônica do Estado de são Paulo encerra sua temporada regular de concertos. Realizadas na Sala São Paulo, sob a regência de John Neschling, maestro e diretor artístico da OSESP as apresentações contarão com a participação do Grupo Pau Brasil e com a interpretação de Mônica Salmaso, em sua segunda colaboração nas temporadas da orquestra. No repertório o Concertino para Percussão e Orquestra, de Nelson Ayres e o Concerto Antropofágico, composto pelos integrantes do próprio grupo. Com a apresentação desta última obra, a Osesp volta a tocar no domingo, dia 21, em Santos, em concerto aberto na Praia do Gonzaga.
Os concertos na Sala São Paulo, contam com o patrocínio da Natura, dentro do projeto “Concertos Natura Musical”, e serão as apresentações da Temporada de Assinaturas. Já o concerto em Santos é parte do projeto Onda Limpa e tem o patrocínio da Sabesp.
É importante mencionar que estes concertos não encerram a temporada 2008 da Osesp. Nos dias 30 e 31 de dezembro, a orquestra volta ao palco da Sala São Paulo para a série Concertos de Final de Ano. O concerto da véspera de Réveillon terá transmissão ao vivo para diversos países da Europa, através do canal de TV franco-germânico ARTE e contarão com a participação de Monica Salmaso ao lado da Banda Mantiqueira, em um repertório quase que integralmente dedicado à música brasileira.

Nelson Ayres
Durante uma conversa, por volta do ano 2000, John Neschling sugeriu ao músico e compositor Nelson Ayres que escrevesse uma peça para percussão e orquestra. Segundo o compositor, foram horas de piano e computador, à cata de uma estrutura musical que fizesse sentido, uma vez que o repertório de referência é quase inexistente. “Desde o início, havia prometido a mim mesmo resistir à tentação de transformar a peça num catálogo de sons estranhos e barulhinhos exóticos que uma seção de percussão pode produzir. Impus-me como limitação trabalhar apenas com os instrumentos mais usuais, utilizando as técnicas usuais. Outro catálogo óbvio que não está presente é o de ‘ritmos brasileiros’, mais uma tentação difícil de evitar. Na verdade, eu havia resistido bravamente na primeira versão (estreada em dezembro de 2000). Para esta segunda apresentação, fiz uma revisão geral e mudei completamente o primeiro movimento, que nunca me satisfez. E nesta nova versão não consegui evitar a intromissão de um frevo, provavelmente introduzido à força pelo espírito de minha avó pernambucana, que, quando eu tinha cinco anos de idade, sonhou que me via regendo uma orquestra no Theatro Municipal. De resto, a peça continua basicamente a mesma, com um pouquinho de lixa grossa aqui e ali para aparar alguns excessos. São três movimentos orquestrais separados por duas cadências, de vibrafone e de tímpanos. O Concertino foi criado na esperança de que meus amigos percussionistas possam se divertir um pouco e é dedicado, com muito afeto, a vocês que são obrigados a ficar sentados quietinhos enquanto eles se divertem.”

Grupo Pau Brasil
Criado a partir de um convite proposto pelo maestro John Neschling, o Concerto antropofágico é uma obra inédita criada coletivamente pelos músicos do Pau Brasil, contando ainda com a participação da cantora Mônica Salmaso. Para que a composição atendesse ao espírito do convite efetuado, o Pau Brasil criou um concerto dividido em três ‘assuntos’ ou movimentos que promovem uma visão utópica do nosso país.
O Estado natural –O primeiro movimento é dividido em três partes: composta por Rodolfo Stroeter e Ruriá Duprat, a abertura exalta a sonoridade do Brasil por meio de sons que evocam a natureza. Os músicos do Grupo Pau Brasil e da Osesp se integram nessa sonoridade com sons primitivos e efeitos orquestrais. A segunda composição, criação de Paulo Bellinati e Rodolfo Stroeter, integra de vez a formação do quinteto com a orquestra, desenvolvendo um tema simples, quase tribal. A alternância de timbres orquestrais e a linguagem improvisada convivem num crescendo onde as duas tribos musicais interagem em alta sinergia. Encerrando o primeiro movimento, a composição de Paulo Bellinati parte do imaginário idílico da vida primitiva em Pindorama na noite anterior à chegada das caravelas. É um cântico melódico de tom sereno e pacífico.
O segundo movimento –A Visão do Paraíso– é composto por Nelson Ayres. Alternando momentos ora bem-humorados, ora líricos ou dramáticos, três peças integram o cenário da viagem, da descoberta e do contato dos portugueses com os nativos. Este movimento transita desde a ansiedade e a curiosidade dos descobridores, passando por suas primeiras impressões até a última peça do movimento - um canto gregoriano representando a cultura do invasor, que se alterna com o tom primitivo e improvisado dos nossos nativos. Osesp e Pau Brasil conversam, colidem e trazem a impressão sonora do caos da mistura.
Misturança das três Raças é o título do movimento que encerra o concerto. A primeira parte deste movimento saúda através da polirritmia a presença africana no Brasil e foi composto por Ricardo Mosca, exclusivamente para as percussões da orquestra e do Pau Brasil. Evocação e oração afro-brasileiras em tom lento –Kaô– de Rodolfo Stroeter e Gilberto Gil destacam a cantora Mônica Salmaso. A canção que encerra o concerto é um afro-samba de origem que ganha um contorno orquestral. “Múltiplo por origem e por intenção, o Concerto antropofágico procura não apenas –como o próprio nome indica– canibalizar uma visão original da nossa formação e da nossa mistura, mas, antes de tudo, fazer com que a oportunidade e o meio como foi criado possam ser expandidos em outros projetos, provando assim que a ‘contribuição milionária de todos os erros’ preconizada por Oswald de Andrade seja, de fato, exercida por quem de direito, ou seja –nós–, os artistas brasileiros.”, comenta Rodolfo Stroeter.

Mônica Salmaso
A cantora paulistana começou sua carreira artística em 1989, na peça teatral “O Concílio do Amor”, dirigida pelo diretor Gabriel Vilela. Em 1995, gravou o CD ‘Afro-Sambas’, um duo de voz e violão arranjado e produzido pelo violonista Paulo Bellinati, contendo todos os afro-sambas compostos por Baden Powel e Vinícius de Moraes. Em 1996, gravou com Paulo Bellinati a faixa “Felicidade” de Tom Jobim e Vinícius de Moraes no CD Song Book de Tom Jobim - Lumiar. Lançou, em 1998, seu segundo CD ‘Trampolim’ pelo selo Pau Brasil, com a produção de Rodolfo Stroeter e as participações de Naná Vasconcelos, Toninho Ferragutti e Paulo Belinati, entre outros. Vencedora do 2º Prêmio Visa MPB – Edição Vocal, pelo júri e aclamação popular em 1999. Gravou, pela Eldorado em 1999, seu terceiro CD ‘Voadeira’ também produzido por Rodolfo Stroeter e considerado pela crítica como um dos dez melhores lançamentos do ano. Participam do disco, entre outros, Marcos Suzano, Benjamim Taubkin, Toninho Ferragutti, Paulo Bellinati e Nailor “Proveta” Azevedo. Em 1999 ganhou o tão prestigiado Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), e em 2004, lançou o disco ‘Iaiá’ e ano passado lançou seu quinto CD ‘Noites de gala, samba na rua’, com músicas de Chico Buarque e participação especial do grupo Pau Brasil.

Grupo Pau Brasil
O grupo paulista surgiu em 1979 e desde a sua formação é referência da música instrumental por sua qualidade e pioneirismo na absorção e expressão da linguagem jazzística brasileira. Composto pelos músicos Rodolfo Stroeter (baixo), Paulo Bellinati (violão), Nelson Ayres (piano), Ricardo Mosca (bateria) e Taco Cardoso (flauta e saxofone), o Pau Brasil é reconhecido por ter alguns dos maiores músicos brasileiros da atualidade. O grupo conta com uma discografia de oito CDs, cinco deles lançados internacionalmente. O disco ‘Babel’, de 1996, foi indicado ao Grammy norte americano na categoria Best Jazz Group. Em 2003 lançou o CD ‘Pau Brasil & Hermeto Pascoal’ pelo selo Azul Records, e mais tarde gravou o disco ‘2005’, inaugurando a parceria do selo Pau Brasil com a gravadora Biscoito Fino. A trajetória internacional do grupo é pontuada por várias turnês, passando pelos Estados Unidos, Japão e Europa. Participou de alguns dos mais importantes Festivais de Jazz, como os de Paris e Nancy, na França; Willisau, Suíça; Freiburg, na Alemanha; Sardenha, Itália; Norwich, na Inglaterra e o festival norueguês Molde.

Osesp
Com 130 apresentações anuais em sua temporada de concertos, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp foi fundada pelo maestro Souza Lima em 1954 e durante 24 anos comandada por Eleazar de Carvalho. Desde 1997, tem a direção artística do maestro John Neschling. Sua sede é a Sala São Paulo (www.salasaopaulo.com.br). Com uma programação abrangente – que mescla as grandes obras da literatura musical internacional com primeiras audições mundiais e compositores brasileiros –, a Osesp traz ao Brasil alguns dos mais importantes solistas e regentes da atualidade, dentre mais de 60 convidados a cada ano. Desde que foi implantado o sistema de assinaturas anuais, em 2000, o número de assinantes tem superado a temporada anterior.
Com o apoio do Governo do Estado e da Secretaria de Estado da Cultura, John Neschling criou o Centro de Documentação Musical Maestro Eleazar de Carvalho, o Serviço de Assinaturas, a Coordenadoria de Programas Educacionais, o Serviço de Voluntários e a editora de partituras Criadores do Brasil. Também iniciou uma parceria com os selos BIS e Biscoito Fino para gravação de mais de 30 CDs. Em 2007, a Osesp foi premiada com o Grammy Latino.
Instituída em junho de 2005, a Fundação Osesp administra a Orquestra, a Sala São Paulo e, conseqüentemente as relações de trabalho de mais de 290 pessoas – entre músicos, administração e técnicos – permitindo maior agilidade administrativa, ampliação de parcerias e melhoria na qualidade dos serviços oferecidos.


Quinta, 18/12 (21h); Sexta, 19/12 (21h) e Sábado, 20/12 (16h30).
Preços: de R$ 28 a R$ 98 - Aposentados, pessoas acima de 60 anos, estudantes e professores da rede pública estadual pagam 1/2, mediante comprovação
Recomendação etária: 7 anos
Estacionamento: 610 vagas (592 comuns e 18 para Portadores de Necessidades Especiais) - R$ 8.
Sala São Paulo (1484 lugares) – Pça. Júlio Prestes 16 (11) 3223-3966.
Cartões de crédito: Visa, Mastercard, American Express e Diners.
Ingressos também pela Ingresso Rápido - 4003-1212 - www.ingressorapido.com.br

Domingo, 21/12 (20h)
GRATUITO
Praia do Gonzaga, Santos/SP

 

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