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São Paulo recebe tambores japoneses

Apresentações do grupo Kodo serão no Teatro Alfa Vinte anos depois de sua última turnê brasileira, o grupo japonês Kodo volta ao país para uma série de apresentações que terminam em 16 de novembro, no Teatro Alfa, em São Paulo. A visita integra o calendário de comemorações pelo centenário da imigração japonesa no Brasil e traz aos brasileiros o mais recente espetáculo do grupo, One earth. Para quem não conhece, o Kodo pode ser descrito como um grupo de percussão, mas é mais que isso. Tendo como base de seu trabalho o taiko, tradicional tambor japonês, eles levam aos palcos uma combinação de música e movimentos harmônicos, “que podem ser interpretados como dança, criando um espetáculo visualmente completo”, na definição de Emílio Kalil, produtor responsável pela vinda dos artistas ao Brasil.
O diretor artístico do Kodo, Mitsuru Ishizuka, vai mais longe e descreve as apresentações como uma experiência que transcende o mero espetáculo: “De certa forma, percussão, música e dança não são apenas para serem mostrados, eles se tornam uma cerimônia de agradecimento, que celebra a humanidade e nosso desejo primal de viver”. Muito desse encantamento se deve à ressonância que ecoa dos tambores, fabricados a partir de carcaças inteiras de árvores. “Por serem feitos de um único pedaço de madeira, sem emendas, eles criam um som inigualável”, conta Kalil.
Ao viajar pelo mundo, o Kodo leva uma bagagem de cerca de três toneladas, formada basicamente pelos instrumentos, que, no espetáculo, são distribuídos entre 14 músicos. No grupo – formado por 48 profissionais, entre artistas e equipe técnica –, há desde veteranos como Yoshikazu Fujimoto, 58 anos, membro fundador do Kodo e o mais experiente da equipe, e sua mulher, Yoko Fujimoto, 56, até artistas mais jovens, caso de Tsuyoshi Maeda, 22, e Tokio Takahashi, 23. Criado em 1971, na ilha de Sado, o Kodo apresenta ao mundo moderno uma arte que existe desde tempos remotos. O taiko foi usado como referência para identificar as diversas aldeias da ilha. Cada uma delas tinha um som peculiar, a partir dos quais eram criadas melodias. Daí surgiram os encontros de grupos, chamados festivais de taiko.
A ilha é a base do Kodo, que mantém ali uma fundação cultural e uma escola de formação de percussionistas e técnicos, mas o grupo cumpre ampla agenda de apresentações nos cinco continentes. Essas voltas pelo mundo inspiraram o espetáculo mostrado na atual turnê, com a qual eles expressam o desejo de “transcender limites de linguagens e culturas, lembrando o laço que une todos os seres humanos”, ressalta Ishizuka.
Ao explorar as ilimitadas possibilidades do taiko, enorme tambor tradicional japonês, Kodo – Percussão do Japão vem forjando novas direções e expandindo as fronteiras de uma das mais tradicionais formas de arte de seu país, ao mesmo tempo em que preserva e cultua essa manifestação “físico-musical”. Em japonês, a palavra Kodo abriga dois significados: o primeiro é “pulsação”, ou o bater do coração como fonte primal de todo o ritmo; o segundo é “crianças do tambor”, reflexo do desejo de os percussionistas Kodo tocarem seus tambores de modo simples, com o “coração de criança”.
O impacto desse trabalho absolutamente único sobre o público é enorme, como revelam os comentários da crítica: “Os 14 músicos criaram ondas de som percussivo que transformaram o próprio Carnegie Hall em cavidade ressonante, coberta de pele animal” (The New York Times).
“Não perca. O som de seus tambores ficará para sempre gravado em sua memória” (Le Quotidien de Paris). “Uma visão dinâmica, eletrizante... Nada pode prepará-lo para a investida desses tambores de 500 quilos, para a exatidão do timing ou para a parede sonora. Uma experiência essencial” (Time Out, Londres).
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