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Big Bands: música e versatilidade

Nem mais fácil, nem mais difícil. Atuar em big bands, na área popular, é tão desafiador que participar de qualquer grupo sinfônico. Big band é uma expressão da língua inglesa que indica um grande grupo instrumental associado ao jazz. Esse tipo de formação foi muito popular dos anos 20 aos anos 50, período conhecido como a Era do Swing.
Uma big band consiste, basicamente, de 12 a 25 músicos e contém saxofones, trompetes, trombones, guitarra, bateria, baixo e piano, podendo ainda admitir outros instrumentos que varia de uma banda a outra. Os termos banda de jazz, orquestra de jazz e dance band, também são usados. O jazz tocado pelas big bands possui, geralmente, arranjos mais elaborados. Nas partituras, os solos e improvisações são executados nos momentos determinados no arranjo. Que se propagou no Brasil na década de 60.
Todos os detalhes de uma big band são conhecidos pelo trompetista Claudio Sampaio. Famoso pelo apelido de “Cambé” (que ganhou porque o pai comprou um veículo cuja placa levava o nome da cidade Cambé, do Paraná), o trompetista rodou parte da Europa, além de Estados Unidos e Canadá levando o melhor da música brasileira.
Cambém inicou na música numa fanfarra de uma escola pública de Itu, no interior de São Paulo. “Lembro que cada um pegava seu instrumento e, para mim, sobrou uma corneta. Não conseguia fazer nenhum som na corneta e fiquei olhando um trompetista, impressionado”, conta.
Da admiração nasceu a paixão pelo instrumento. Procurou pela banda municipal – cujo avô, Lupércio de Paula Leite Sampaio – já havia sido diretor no passado e passou a integrar a “União dos Artistas”. “Tinha 13 anos de idade e escolhi o trompete, passando a ter aulas com o professor Chiquito. Depois, comecei a tocar na orquestra SamBrasil, uma banda de bailes, junto com outros músicos como Antonio Carlos Neves Campos, Sérgio Oliveira, Walter Leite e Paulo Braga... foi aí que me profissionalizei”, declarou ele.
O início na música profissional ocorreu aos 16 anos de idade. Depois, vieram as aulas no Conservatório de Tatuí e os aperfeiçoamentos em São Paulo, chegando, inclusive, a ser aluno de Fred Mills, um dos trompetistas mais respeitados da atualidade. Como músico profissional, sempre atuou em São Paulo. Com um grupo de música popular brasileira – chamado Brasil Jazz Orchestra -, tocou em teatros e cassinos dos Estados Unidos, Canadá, Itália, Suíça e França. Mais recentemente, fez turnê pela Dinamarca, Suécia e Noruega e participou do musical protagonizado por Claudia Raia e do Miss Saigon.
Para quem pretende, como ele, seguir a carreira profissional no trompete, Cláudio Sampaio adverte: é preciso muita dedicação. “O estudo é a principal arma do bom trompetista. Às vezes a pessoa estuda muito, por muito tempo, só que estuda errado. Cada um tem uma dificuldade, cada um tem seu ponto crítico”, disse. Segundo Sampaio, para melhorar é preciso saber estudar. Ele, por exemplo, realiza uma rotina diária de estudos, repetindo exercícios que envolvem notas longas, flexibilidade... “Faço essa rotina que me mantém tocando razoavelmente bem. Depois, vou tocar o ponto fraco. Ou seja, se estou com problema de agudo, estudo agudo; se é sonoridade, vou estudar sonoridade, mas eu já fiz a rotina que é a base do meu estudo”, diz ele.
Os estudos são repetidos diariamente, com exceção dos domingos, dias reservados ao descanso. Para manter-se em forma no trompete, Sampaio usa métodos de Allan Vizzutti e não deixa de repetir os exercícios. Dono de um Yamaha 8310Z, comprado nos Estados Unidos pelo amigo e professor Fred Mills, Sampaio diz que ouve todo tipo de música, de Moacir Santos, passando pela banda Mantiqueira até a Osesp. “Cheguei a tocar música erudita, mas o popular está no sangue. Para se atingir um nível bom nas duas é preciso muito estudo, muita base de estudo, são duas coisas diferentes. A música popular é para a pessoa que tem mais criatividade, principalmente se for um improvisador, mas a linguagem, o swingue do popular é muito diferente”, disse ele, que admite tocar o instrumento que é o “líder da banda”.
Para quem está começando, a dica é uma só: muito estudo, utilizando todos os métodos, inclusive os considerados eruditos.
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