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Música como profissão

Depoimentos de músicos profissionais que sobrevivem de música. Robson Miguel, Quinzinho Oliveira, Mário César, Márcio Cavalcanti e Alcidéa Miguel (em ordem na imagem acima) foram os músicos profissionais entrevistados.
Como alguém descobre que quer ser músico? Com certeza não é uma profissão para ser escolhida às vésperas do vestibular. É uma das poucas em que, para ingressar na faculdade, é necessário ter experiência anterior. Qual? Tocar bem um instrumento e ter noções gerais de música para passar na prova de aptidão e eliminatórias em todos os cursos oferecidos no Brasil. Por isso, o ideal é começar a estudar algum instrumento na infância ou, no máximo, na adolescência. A música é mais do que uma profissão. Quem vive disso, se apaixona. Ela é a própria vida do músico, o que exige dedicação total. As principais características do músico são criar, compor, interpretar e executar melodias. O músico popular pode atuar como instrumentista e arranjador. Já quem escolher seguir uma carreira erudita tem como opções as áreas instrumental, composição ou regência. O mercado de trabalho é bastante exigente e conseguir um lugar ao sol é o que se pode chamar realmente de desafio. Em compensação, as áreas de atuação são muitas! Além de poder ser um profissional liberal e autônomo, o músico poderá trabalhar em rádios, televisão, teatro, cinema e agências de publicidade. Se optar por uma carreira erudita, terá opções de reger orquestras e corais na composição instrumental ou vocal. Também poderá lecionar em escolas de música ou instituições de ensino superior. As áreas que mais têm crescido nos últimos tempos são: produção de jingles, trilha sonora e linguagem musical computadorizada. A carreira de músico é uma das carreiras que apresentam maior variação salarial. Apesar de muitos músicos não serem formados, a faculdade é muito importante. O pior é passar pelo vestibular, que no caso da faculdade de música funciona realmente como um filtro. O exame de aptidão é bastante difícil e exige que o candidato saiba ler partituras e toque bem um instrumento. A duração do curso varia de quatro a seis anos, dependendo da escolha do estudante (licenciatura ou bacharelado). Durante o curso o aluno escolhe um instrumento. Nesta matéria especial, trazemos entrevistas com músicos profissionais, além de um artigo assinado por especialista sobre o tema. Acompanhe!
Violonista Robson Miguel Um dos principais nomes no mundo quando o assunto é violão é Robson Miguel. Ele conquistou o respeito do público e da crítica internacional especializada que, hoje, o reconhece como o primeiro violonista brasileiro a se destacar no ranking mundial violonístico, sendo o único no mundo a dar entrevistas executando simultaneamente qualquer obra ou estilo no violão. Com dom divino, Robson Miguel desenvolveu sua carreira artística, conquistando muitos prêmios nacionais e internacionais, troféus, comendas e foi o único brasileiro a conquistar o maior título internacional pelo Circulo Violonístico Europeu de Madrid – Espanha, a terra onde nasceu o violão. Esta conquista partiu do convite do Governo Espanhol, que reuniu os 67 melhores violonistas do mundo no Castelo de Córdoba - Espanha, em comemoração aos 500 anos de descobrimento da América. Robson Miguel, como contratado da TV Espanhola, foi o escolhido para representar o Brasil destacando-se como o mais completo violonista da atualidade. Viveu quatro anos na Espanha (gravando quatro CDs e três DVDs) e na Alemanha (gravando dois CDs), tendo um total de 27 CDs e 14 DVDs entre Brasil-América e Europa e seu nome presente em mais de 100 países, no dicionário da MPB e milhares de sites de buscas. Construiu uma carreira brilhante como divulgador da música popular brasileira e universal, com técnicas inovadoras conquistando milhares de fãs pela Europa, Brasil e mundo, que pode ser visto em dezenas de vídeos postados no Youtube. No site www.robsonmiguel.com.br, há matérias sobre ele exibidas nas televisões espanhola, alemã e brasileira (programas Hebe Camargo, Fantástico, Jô Soares, Ana Maria Braga, Rolando Boldrin, Ronni Von, TV Cultura) entre outros. Robson Miguel ocupa hoje o "1º lugar no ranking mundial de Violonistas”, reconhecimento outorgado pelo Círculo Violonístico Europeu de Madrid - Espanha, confirmado em 2010 pelo Prêmio Quality Internacional do Mercosul e pela Câmara Brasileira de Cultura, títulos expedidos ao completar os 158 anos de “História do Violão Clássico no Mundo”. A crítica européia surpreendeu-se ao ver suas apresentações e declarou que “o conhecimento, a variedade de repertório, criatividade e naturalidade com que Robson Miguel toca é sem dúvida obra de genialidade musical e um dom de Deus intransferível”. Quais os maiores obstáculos encontrados em sua carreira profissional? Foi quando me formei em violão clássico e percebi que seria difícil com este repertório lotar os teatros no Brasil, pois nosso povo não tem o hábito de apreciar este estilo nas mídias radiofônicas e televisivas. Para manter meu público fui obrigado a optar por um repertório variado com alguns clássicos mais músicas populares e arranjos virtuosos, criativos, com novidades e imitações prometendo tirar toda a monotonia temida pelo público violonístico. Qual a melhor fase da sua carreira? A que eu vivo agora. Hoje vivo seguro, maduro, mantendo meu trabalho mais sereno, com menos ansiedade e quase que morando num avião.
Que mensagem você deixa para quem quer a música como profissão? Em minha opinião, somente existem dois tipos de pessoas no mundo: os músicos e os que gostariam de ser. Para ser músico, deve-se também decidir por viver da música, com a música e para a música. Há que se acreditar nela, acreditar em você e se dedicar, tendo como referência os profissionais de sucesso e nunca levar a música como uma segunda opção de vida. Como eu muitos escolheram a música... mas às vezes penso que a música a mim escolheu.
Quinzinho Oliveira
Fale um pouco sobre seu trabalho.
Sinto-me agradecido ao testemunhar sobre meu trabalho. Agradeço a Deus todos os dias pelo dom que Ele me deu e pela oportunidade de trabalhar naquilo que gosto. Como todos sabem, vivemos em um país que ainda não supriu as necessidades básicas dos cidadãos, como saúde, alimentação e moradia. Aqui é um privilégio viver da arte da música. Durante toda minha vida as pessoas me questionaram sobre minha profissão, apesar de acharem maravilhoso ser músico. Me contaram testemunhos de pessoas que estudaram música, porém nunca conseguiram se profissionalizar. Acredito que não escolhemos a música como profissão, mas ela nos escolhe. Hoje, além dos diversos trabalhos musicais que realizo, dedico-me à administração da Free Music Escola Livre de Música, que neste ano completa 20 anos de existência.
Quais os maiores obstáculos encontrados em sua carreira profissional?
A falta de regulamentação da profissão, a indústria da falsificação que tira o trabalho do músico em estúdio e em shows, a exploração da mídia ao apelo da música popularesca e a falta de espaço para mostrar a música de boa qualidade.
Qual a melhor fase da sua carreira? O presente, com certeza! A consolidação da carreira vem com a vivência e o aprendizado do passado, porém continuamos aprendendo e nos reinventando todos os dias. Assim como Deus faz nova todas as manhãs, nos renovamos quando fazemos o que gostamos com amor e respeito.
Que mensagem você deixa pra quem quer a musica como profissão? Tenha Deus no coração, trabalhe com o que gosta, ame o que faz, respeite seu trabalho e seus parceiros, seja honesto. Quando gostamos e sentimos prazer naquilo que fazemos, o tamanho dos obstáculos pode ser menor de acordo com a importância que damos a eles. Não se preocupe em ser o melhor, mas faça o que de melhor há em você.
Mário César
Fale um pouco sobre seu trabalho. Meu trabalho está todo voltado para a música, mas com estilos e propostas diferentes. Estou como responsável da música na Igreja Batista em Vila Gerte, regendo os coros da Igreja - tanto o principal, como o coro jovem -, além de cuidar do Louvor Congregacional, já que a música é uma das principais características da denominação Batista, profundamente influenciada pela cultura norte-americana. Sou professor da Universidade Anhembi-Morumbi no curso de Produção Musical e de Música Brasileira, além de lecionar na Fundação das Artes em São Caetano do Sul. Faço parte ainda da Atrium Jazz Band, que tem um trabalho próprio e busca dar uma roupagem jazzista à música cristã, além de composições próprias – além de, toda segunda-feira, apresentar-se no programa “Hebe”, exibido pelo SBT.
Quais os maiores obstáculos encontrados em sua carreira profissional? Não creio que sejam obstáculos, mas a minha maior decepção é não ver um projeto voltado para a música no Brasil que atinja a população de uma forma completa e total. Existe, na verdade, alguns projetos neste sentido, mas que acabam não conseguindo atingir uma parte da população.
Qual a melhor fase da sua carreira? A minha melhor fase é o momento em que vivo hoje. Sempre espero o que há de vir, que será melhor que ontem... pois é promessa de Deus.
Que mensagem você deixa para quem quer a música como profissão? Quem quiser ir por este caminho deve ter pelo menos três características: uma pré-disposição musical ou aptidão musical e ser perseverante sempre. Não deixar que as lutas que vier a enfrentar possam te fazer desanimar e buscar orientação e formação acadêmica para se tornar o melhor profissional possível. Comecei estudando com minha mãe e, com esforço e vontade, consegui me formar com os cursos de graduação em piano, licenciatura plena em música e mestrado em artes com ênfase em regência pela Cambells Ville University – KY, nos Estados Unidos.
Márcio Cavalcanti
Fale um pouco sobre seu trabalho. Coordeno formações instrumentais e repertório voltado para cerimoniais de casamento e eventos sociais. Além da parte musical, estou envolvido no atendimento ao cliente, assessoria na escolha de repertório, vendas e na logística para a realização desses eventos (equipamento de som, partituras, ensaios, agendamento dos demais músicos).
Quais os maiores obstáculos encontrados em sua carreira profissional? Acho que não só eu, mas a grande maioria tem dificuldades de viver da música dignamente. Até alcançarmos o reconhecimento, temos que investir muito em bons professores e bons instrumentos musicais, mas o retorno é demorado. Em nossa cultura, a profissão de músico é muitas vezes confundida com hobby ou entretenimento. Ainda bem que isto vem mudando com a abertura de novos mercados.
Qual a melhor fase da sua carreira? Márcio - Atualmente estou em uma ótima fase, mas ainda tenho muitos objetivos a serem alcançados e a perspectiva é de estar cada vez melhor. Ainda não caí no comodismo.
Que mensagem você deixa para quem quer a música como profissão? Em primeiro lugar, defina metas, aonde quer chegar e corra atrás. Pesquise o mercado. Hoje a música nos oferece um leque de opções, mas nem sempre uma boa remuneração significa satisfação. Assim como em qualquer profissão, para alcançar o sucesso você tem que gostar do que faz e se envolver. No começo, talvez tenha que ter jornada dupla, trabalhando com música e alguma forma de ganho alternativa para garantir as despesas pessoais. A persistência é muito importante, não desista!
Músico: profissional versátil Alcidéa Miguel*
Falar sobre música como profissão no Brasil é falar da versatilidade que o profissional tem que ter durante o processo que passa para a evolução profissional, desde a infância, a partir de quatro anos, passando pela fase adulta até a terceira idade, sem contar a quebra das diferenças entre credos, raças e classes sociais. Com a presença da música, principalmente num grupo coral ou banda, todos cantam a mesma canção, todos são iguais. Ao meu entender, esta versatilidade não está sendo bem valorizada pelo mercado, ou seja, a vida profissional do músico fica difícil por muitas vezes não ter um salário fixo satisfatório, levando-o a ter que complementar a renda em três ou quatro escolas, tocar nas noites - como bares, bailes, shows, perdendo horas de sono -, resultando num grande desgaste e pouco retorno financeiro. Até mesmo as poucas horas de descanso acabam sendo utilizadas para se dedicar a parte técnica individual do instrumento. O melhor caminho para nós, músicos profissionais, é se envolver em empregos que nos geram salários fixos, com direitos trabalhistas reconhecidos, benefícios empregatícios, como convênio médico, vale-refeição, vale-alimentação etc. É ter um salário para que possamos sustentar nossa família, ter crédito na praça. O Governo Federal sancionou em agosto do ano passado a lei nº 11.769, que oficializa as escolas de todo Brasil a ministrar aulas de música para todos os alunos da educação básica, alterando o artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. A música deverá ser inserida nas instituições privadas e públicas, sem constituir necessariamente uma área exclusiva, podendo ser integrada ao ensino de artes com início até o ano de 2011. Essa iniciativa do Governo nos abre um grande leque de oportunizar o desenvolvimento de diferentes habilidades musicais, além de favorecer a construção de valores sociais, pessoais e o desenvolvimento emocional, psicomotor e cognitivo do aluno. Atualmente dou aulas particulares em minha casa e domiciliares das disciplinas canto, violão, violino, saxofone e regência. Leciono também em duas escolas de infantil a ensino médio: Colégio Opção e Colégio Barão de Mauá, ambos em Mauá, São Paulo. Sou regente de dois corais: Colégio Opção, com 110 coristas Infanto-juvenis e coro Feminino da Igreja Batista do Curuçá (IBAC) com 35 coristas. Canto e toco saxofone em eventos, sou conferencista na área de musicalização, atuo em propagandas publicitárias de televisão, componho músicas temáticas e jingles para empresas, toco e canto música gospel que tem sido um elemento fundamental para servir a Deus, que me deu o dom. Enfim, é uma jornada intensa, diversificada e abrangente de várias faixas etárias, diferentes níveis sociais, intelectuais, lugares e entidades de visões diferentes; uns visam a música como marketing, outros na formação do indivíduo, mas com toda essa diversidade, o importante é que escolheram a música! Partindo desse ponto de vista, nós músicos profissionais temos a liberdade de direcionar a música para o encanto, prazer, algo que atinge a alma. Está em nossas mãos ajudar na formação do cidadão através do nosso trabalho. Outros músicos profissionais optam por fazer carreira junto a orquestras e corais estaduais ou outras entidades com ótimas remunerações e um tempo menor de trabalho semanal. Este grupo também pode experimentar uma grande vantagem em ter uma diversificada plateia com diferentes níveis sociais e faixas etárias, costumes e expectativas diferentes. É um grupo que também desfruta do brilhante resultado que a música produz. Pessoas que passam pela alimentação musical desses profissionais, podem apropriar-se do bem cultural, da inclusão social e principalmente cultural, ampliando assim o contexto pedagógico. Com toda essa realidade focada nesse texto, a música desenvolve a comunicação, expressão, matemática, inteligências, cultura, enfim, tudo de bom na vida das pessoas. Para mim, e creio que para todos os músicos profissionais, é um privilégio saber e sentir que somos uma engrenagem para esse processo acontecer.
*Alcidéa Miguel tem a música como sua profissão. É licenciada em educação artística e música. É cantora, compositora, saxofonista, regente e conferencista. Foi a principal colaboradora para esta matéria.
Por Deise Juliana e Renata Marucci (www.empregos.com.br)
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