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Entrevista com Dario Andino

Folha Sinfônica - Explique sobre a Harpa para o público entender um pouco de como funciona este instrumento. Dario Andino - Harpa nativa é construída com 36 cordas. No total abarca 5 oitavas. A afinação é individual, sem alterações. Muitos a afinam em Sol Maior. O instrumento tem só as possibilidades de todos os acordes desta escala. Geralmente, só são usados os 4 dedos maiores das mãos para tocar, pois o dedo mínimo não alcança as cordas e não tem força suficiente. Importante também é a parte do dedo com que se tocam as cordas, que proporciona uma variação sonora.
F.S - Quais são os modelos de Harpas? D.A - Harpas para concertos: são as Harpas com pedais, que permitem mudar o tom das cordas. Elas geralmente têm seis oitavas e meia (46 ou 47 cordas) Harpa nativa: não tem pedais. Tem 36 cordas onde é tocada com as unhas Harpa celta ou folk: mais comuns, tem 34 cordas, duas oitavas abaixo do Dó central e duas e meia acima (terminando em Lá), e para mudar o tom são utilizadas alavancas.
F.S - Como e quando despertou este interesse em ser harpista? D.A - Quando tinha 10 anos fui motivado pelo meu pai a estudar um instrumento e eu escolhi o violão. Sem saber, o mesmo professor que procurou meu pai era fabricante e interprete deste tipo de Harpa, a nativa, o que me interessou muito e fez com que eu mudasse para este instrumento, estudando junto com ele por 3 anos em Buenos Aires. Depois deste período continuei como autodidata construindo minha própria técnica de interpretação e o desenvolvimento para o estudo deste instrumento, de forma prática e simples para qualquer faixa etária.
F.S - Quais foram as maiores dificuldades com o instrumento? D.A - Para chegar ao domínio, foram estudos de 4 horas diárias para poder interpretar os diferentes estilos de músicas do mundo, por encontrar neste instrumento a dificuldade da sua escala que é diatônica (ex: como um piano que não tem as teclas pretas só as teclas brancas).
F.S - Como está em nível nacional e internacional sua carreira e o estilo musical que toca? D.A - Meu estilo atual se encontra dentro da música New age e World music. Estou gravando atualmente 2 CDs dentro deste estilo, um deles são de autoria das minhas alunas. Além disso, estou trabalhando com outros músicos de nível internacional como Robson Miguel e Abadi Assad considerados os melhores violonistas do mundo. Atualmente me encontro dentro do ranking latino americano entre os 10 melhores harpistas. No decorrer de minha carreira ganhei 2 prêmios internacionais, e faz um mês que fui reconhecido com o prêmio Quality Internacional Bandeirantes por meus trabalhos do ano de 2008. Por isso, o nível da minha carreira tanto no Brasil como no exterior está ótima, com muito reconhecimento do meu trabalho e do estilo das músicas.
F.S – Você criou métodos diferenciados para dar aulas do instrumento. Como são dadas essas aulas para que qualquer idade possa aprender a tocar Harpa? D.A - Aulas para adultos: Geralmente adultos procuram o instrumento apenas para o seu lazer, sem intenções de se tornarem profissionais. A Harpa neste sentido é um instrumento muito recomendável, pois além de sua beleza também proporciona bons resultados logo no começo do estudo, tornando-se um incentivo para pessoas que admiram profundamente a sua sonoridade e a tranquilidade que transmite aos seus ouvintes. Além disso, a Harpa proporciona ao adulto uma atividade que estimula o cérebro de uma forma agradável com efeitos benéficos à saúde. Já as aulas para crianças, sou a favor do ensino de música como uma forma de desenvolvimento da sensibilidade artística e criativa. O importante é que a criança goste do que faz e sinta prazer em tocar e aprender o instrumento. Crianças em geral, gostam muito da Harpa, porque descobrem as riquezas sonoras do instrumento e passam a brincar com elas sem perceber o processo que as leva ao desenvolvimento motor desde o princípio do estudo. O normal e o mais recomendado é começar aos 7 anos de idade. Algumas crianças começam aos 6 anos e aprendem com muita facilidade.
F.S - Quais dicas você daria para quem quer aprender a tocar Harpa? D.A – Dedicação! Se o aluno tem o instrumento em casa para estudar já é um grande passo, além da seriedade nos estudos e talento, é claro.
F.S – Quais suas futuras apresentações? D.A – A próxima data é para 11 de dezembro, no Instituto KVT no bairro da Saúde, às 19h30. Quem puder comparecer será muito bem-vindo.
Por Natália Schener
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