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Com Novo maestro OSESP não perde o Brilho

A estréia da temporada 2009 da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) mostrou que, muitas vezes, um grupo unido e fortalecido sobrevive a qualquer tempestade. Depois de uma turbulenta fase que resultou na demissão do maestro John Neschling, a Osesp retornou tendo Yan Pascal Tortelier à frente. Com uma atuação impecável, Tortelier pôs fim a qualquer polêmica envolvendo seu nome e a inicialmente desconfortável posição de substituto de Neschling.
Sendo a Osesp a mais importante orquestra sinfônica do país – e, de longe, uma das mais importantes da América Latina -, a reestréia do grupo ganhou grandes dimensões. Não somente pela transmissão na TV Cultura, logo após o concerto. A Osesp é um referencial para qualquer músico e seus acontecimentos costumam desencadear outras reações país afora. Felizmente para a classe erudita, o grupo não perde o brilho.
O novo maestro pretende, nos próximos dois anos, dar à orquestra mais visibilidade internacional, já pensando numa turnê mundial. Consciente de que necessita trabalhar peças do repertório brasileiro e de que a Osesp já possui “reputação internacional razoável”, Tortelier acredita que a maior visibilidade será facilitada pelo fato de a orquestra merecer comentários positivos. Sim, havia alguma dúvida com relação ao futuro da orquestra depois da demissão de John Neschling. Apesar de suas trombadas com o conselho da Fundação Osesp e com os músicos, não há como negar que Neschling, em seus 12 anos à frente da orquestra, consolidou-a como o mais respeitável grupo sinfônico brasileiro. Os partidários do maestro sugeriam que, com a saída de Neschling, a qualidade da orquestra poderia se perder. Mas não será assim. A orquestra não se resume ao seu diretor artístico: é formada por bons músicos, que deram prova de talento sob o comando de outros regentes. E Tortelier deve trazer a ela um atributo fundamental: leveza. A Osesp é conhecida por tocar forte, com vigor às vezes excessivo. Esse recurso até funciona na execução de compositores como Beethoven e Mahler, mas é péssimo para peças de Debussy ou Ravel, que requerem mais suavidade. Tortelier tem a sensibilidade exigida pelo repertório francês, uma de suas especialidades.
O contrato de Neschling vigoraria até o fim de 2010, mas o maestro brasileiro caiu em desgraça após várias declarações públicas infelizes, nas quais desancou músicos, desafetos – e até aliados. No início de janeiro, dez dias antes da demissão oficial de Neschling, Tortelier foi convidado por membros do conselho da Osesp a ser o novo regente titular – pelo menos pelas próximas duas temporadas. Aceitou a oferta prontamente. Na reformulação geral que se seguiu, o chileno Victor Hugo Toro, que atuava como regente assistente, também foi demitido, e Tortelier mudou o repertório da temporada 2009. A Osesp é a orquestra mais rica do país. Tem um orçamento anual próximo a R$ 68 milhões (R$ 43 milhões do Governo do Estado e R$ 25 milhões provenientes de assinaturas, vendas de bilhetes e patrocinadores)
História
Desde o primeiro concerto em 1954, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo –Osesp– trilhou uma história de conquistas, que culminou em uma instituição hoje reconhecida nacional e internacionalmente pela qualidade e excelência. A Osesp é atualmente parte indissociável da cultura paulista, agente de transformações e criadora de um novo paradigma na música de concerto e na gestão cultural em nosso País. Nos primeiros anos, a Osesp foi dirigida pelo maestro Souza Lima e pelo italiano Bruno Roccella, mais tarde sucedidos por Eleazar de Carvalho, que por 24 anos permanece à frente da Orquestra e desenvolve intensa atividade, com temporadas regulares no Teatro Cultura Artística, transmissões pela TV Cultura, turnês nacionais e a realização dos concursos Jovens Solistas da Osesp e dos Concertos para a Juventude. Nos últimos anos sob seu comando, o grupo passa por um período de privações. Porém, antes de seu falecimento, Eleazar deixa um projeto de reformulação da Osesp. Com o apoio do Secretário de Cultura e o empenho do Governador Mario Covas, é realizada a escolha do maestro que conduziria essa nova fase na história da Orquestra.
Em 1997 o maestro John Neschling assume a direção artística da Osesp e, com o maestro Roberto Minczuk como diretor artístico adjunto, redefine e amplia as propostas deixadas por Eleazar. Em pouco tempo, a Osesp abre testes para os músicos, no Brasil e no exterior, eleva os salários e melhora as condições de trabalho. A Sala São Paulo é inaugurada em 1999 e, nos anos seguintes, são criados os coros Sinfônico, de Câmara, Juvenil e Infantil; o Centro de Documentação Musical Maestro Eleazar de Carvalho; o Serviço de Assinaturas; o Serviço de Voluntários; os Programas Educacionais; a editora de partituras Criadores do Brasil; e a Academia da Osesp. As temporadas se destacam pela diversificação de repertório e uma parceria com o selo sueco BIS garante a difusão internacional da música brasileira de concerto. A criação da Fundação Osesp, em 2005, representa um marco na história da Orquestra. Com o presidente Fernando Henrique Cardoso à frente do Conselho de Administração, a Fundação coloca em prática novos padrões de gestão, que passam a ser referência no meio cultural brasileiro. Após as turnês pela América Latina (2000, 2005, 2007), Estados Unidos da América (2002, 2006), Europa (2003, 2007) e Brasil (2004, 2008), o grupo realiza em 2008 a primeira edição da Osesp Itinerante, pelo interior do estado de São Paulo, com concertos, oficinas e cursos de apreciação musical que atingem mais de 70 mil pessoas. Em 31 de dezembro de 2008 é realizado um concerto de ano novo para a emissora franco-alemã ARTE, regido pelo maestro Neschling e transmitido ao vivo para a França, Alemanha, Bélgica, Suíça, Espanha, Áustria, Polônia, Finlândia, Portugal, Dinamarca, Hungria, Suécia, Itália, Holanda e Brasil. Recentemente indicada pela revista inglesa Gramophone como “uma das três orquestras emergentes no mundo nas quais se deve prestar atenção”, a Osesp dá continuidade ao projeto de ampliação constante da cultura musical brasileira e inicia a Temporada 2009 tendo como regente principal o maestro francês Yan Pascal Tortelier. . O Maestro
Nascido em uma família musical, filho do violoncelista Paul Tortelier, Yan Pascal Tortelier iniciou os estudos de piano e violino aos quatro anos de idade e, aos 14, venceu o primeiro concurso de violino no Conservatório de Paris. Após estudar música com Nadia Boulanger, estudou regência com Franco Ferrara em Siena, Itália. Desde então, sua carreira como regente inclui apresentações com as principais orquestras da Europa, América do Norte, Japão e Austrália. A orquestração de Tortelier para o Trio para Piano de Ravel estreou em 1992 e, no ano seguinte, obteve grandes elogios da crítica em uma apresentação no London Proms com a Filarmônica da BBC. Há alguns anos, a peça estreou no Festival da Primavera em Praga, e em São Francisco, Tóquio e Melbourne. A obra está disponível em CD, no ciclo Debussy/Ravel gravado por Tortelier. Em reconhecimento ao seu trabalho como regente titular da Filarmônica da BBC entre 1992 e 2003, Tortelier recebeu o título de regente laureado e continua a trabalhar com a Orquestra regularmente. Nos últimos anos, tem regido importantes orquestras como a Sinfônica de Londres, Philharmonia e Filarmônica de Londres; Orquestra de Paris; as filarmônicas de São Petersburgo, de Oslo, do Teatro alla Scala de Milão, Rádio da Holanda e Orquestra Real Concertgebouw. Na América do Norte, apresentou-se com a Filarmônica de Los Angeles; as sinfônicas de São Francisco, Baltimore, Pittsburgo, Montreal e Orquestra da Filadélfia.
Seus compromissos recentes incluem novas apresentações com as orquestras de Pittsburgo, Dallas, São Francisco, Baltimore e Saint Louis, assim como Sinfônica Metropolitana de Tóquio, Nacional da França e de Paris, Filarmônica de Dresden, Halle, e Sinfônica e Filarmônica de Londres. Entre 2005 e 2008, foi nomeado principal regente convidado da Orquestra Sinfônica de Pittsburgo.
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