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Margareth Miguel

Voz brasileira em solo americano
Margareth Miguel em alta performance no Kentucky

A capixaba Margareth Miguel é uma das raras mezzo sopranos que desenvolvem carreiras artística e acadêmica em solo americano. Nascida em Vitória, no Espírito Santo, a bela morena começou a estudar música aos oito anos de idade com o irmão, Robson Miguel. Hoje, ela é mestranda em “Voice Performance” (performance de voz) pela Universidade de Campbellsville, no Kentucky, Estados Unidos.

Da capital do Espírito Santo, Margareth Miguel seguiu seus estudos na Fundação das Artes e Escola Municipal de Música de São Paulo. Depois, formou-se Bacharel em Música – Canto, pela Universidade Cruzeiro do Sul e, ainda, Bacharel em Música – Canto, pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Seus principais orientadores foram Sônia Furtado, Israel Pessoa (EUA), Marilane Bousket, Carmo Barbosa e Caio Ferraz. Ela também participou de masterclass com Ângela Faith Cofer (EUA), Lenice Prioli (Brasil), Fiorenza Cossotto (Itália) e Elena Obraztsova (Rússia), além de cursado regência com os maestros Urgel R. Lota, Sérgio Lula e Donaldo Guedes.
Desde o início de sua carreira, participou de vários recitais como solista no grande ABC Paulista, assim como no interior e outros Estados. Cantou em vários coros regionais e participou em outubro de 1998 do Touring Choir fazendo concertos em vários Estados americanos, como Michigan, Kentuky, Texas, Louisiania, Flórida e outros, num total de 16 apresentações, acompanhada pelo maestro Donaldo Guedes. Atuou nas temporadas de ópera no Teatro São Pedro, em São Paulo, com a Cia. Ópera São Paulo. Atuou também como regente do Coral Max Lemk e Coral da Sociedade Ítalo Brasileira em Santo André.

Foi cantora solista convidada do projeto “Canção Pela Paz”, movimento realizado pela Prefeitura de Rio Grande da Serra (2002 e 2004), além de ter atuado em musicais natalinos com o Grupo Atitude-SP (maestrina Alcidéa Miguel) e Coral Alvorada (maestro Mário César Pereira).
Em 2006 lançou o CD solo “Fina Sintonia”, com músicas gospel de estilos diferenciados (blue, pop, baladas e outros). O trabalho conta com as participações de artistas como Robson Miguel, Paulo César Baruk, E.H.S.Kyniar, Ademir da Costa e traz, ainda, arranjos de Mário César Pereira e Roger Miguel. Atualmente leciona técnica vocal em workshop e simpósios, atua como back vocal em gravações e outros projetos, além de realizar recitais e apresentações musicais solo e em grupo. Seu trabalho técnico vocal e repertório são orientados pelos professores Caio Ferraz (Brasil) e Frieda Gebert (EUA).

Buscando aperfeiçoamento nos Estados Unidos, Margareth Miguel tem tido contato com profissionais americanos e encantado-se com uma cultura diferente. Nos Estados Unidos, realizou concertos com os Coros e Ópera da Universidade de Kentucky, além de atuar como cantora convidada do International Dinner e do Christmas Dinner do Rotary Club. Por lá, também lançou seu “Fina Sintonia” e realizou apresentações solo em musicais de igrejas Batista e Metodista.

FS - Como surgiu o convite para o mestrado no Kentucky?
Esse convite veio a mim de forma bem surpreendente! Eu pretendia fazer mestrado em performance, mas sabia que no Brasil esse curso ainda não era oferecido, sendo assim, estava naquele momento pesquisando universidades que pudesse me oferecer um mestrado na área de Educação Musical ou algo semelhante. Na realidade não tinha planos de fazer esse curso no exterior até mesmo por causa do meu trabalho musical no Brasil que, de certa forma, estava estabelecido. Nesse período recebemos a visita dos diretores da área musical da Campbellsville University, Ky - (dr. Robert Gadds e dr. Tony Cunha), que vieram ao Brasil avaliar o mestrado em regência de um outro músico amigo meu e eu participava cantando neste concerto. Em um dos dias da estada desses diretores no Brasil participei de uma audição com a presença deles e nesse momento fui presenteada com uma bolsa de estudos para o mestrado em Voice Performance nesta citada universidade.
Para mim foi uma maravilhosa surpresa. É claro que precisei de um período para me organizar e decidir se realmente estava disposta a mudar totalmente a rotina de minha vida, mas enfim, estou aqui!

FS - Quais as diferenças da atuação profissional de uma mezzo soprano no Brasil e nos Estados Unidos?
Creio que o grande “drama” que vivemos no Brasil ainda é a falta de apoio e investimento à cultura, e a falta de valorização dos músicos profissionais - aqueles que levam a música a sério, que estudam, se especializam e somam tudo isso ao seu talento.
Infelizmente ainda nos debatemos com as “politicagens”, os “QI’s” e outras coisas estranhas com as quais temos que ter muito jogo de cintura pra levar.
Digo isso simplesmente para responder a sua pergunta: creio que no Brasil há talentos espetaculares, gente séria, fazendo música de forma maravilhosa, cantoras talentosíssimas, mas são poucas as que vemos atuando e principalmente recebendo o justo e merecido salário. Aqui nos Estados Unidos, há cantoras maravilhosas também, mas a diferença é que existe uma valorização, exatamente porque há um maior investimento na educação musical e na cultura, por isso o cantor pode até concentrar-se em um só tipo de trabalho musical, ou seja, não precisa se dividir tanto com outros trabalhos paralelos.
Nós, Mezzos, somos privilegiadas porque percebo que tanto aqui nos Estados Unidos como no Brasil, a escassez é a mesma.

FS - Qual é sua rotina diária de estudos?
Nessa primeira etapa, tenho aulas pela manhã e tarde. Eu participo cantando em três grupos de concerto e ópera da Universidade, sendo assim, tenho ensaio todos os dias da semana, alternando as atividades dos grupos. Todo o semestre temos um ciclo de concertos com esses grupos que partem de perfomances no teatro do campus, outras cidades, Estados e outros países.

FS - Como vê o mercado de trabalho brasileiro atualmente?
As produções e projetos independentes, mesmo com poucos recursos financeiros, produzem materiais didáticos, eventos e concertos fantásticos, de excelente qualidade, talvez com uma freqüência menor de produção - até mesmo por falta desses investimentos -, mas o importante é que estão produzindo. Infelizmente quem tem dinheiro não quer investir em trabalho sério, por isso o músico no Brasil ainda tem que seguir o caminho das pedras, mas o importante é não deixar de fazer e aproveitar as oportunidades.
Não podemos fazer da música uma grande fabrica em que as peças que estão sendo produzidas não sejam de boa qualidade. Quando temos um material de primeira, temos como resultado um produto equilibrado, consistente, duradouro, valorizado e perpétuo. Agora, creio que precisamos continuar lutando para que os governantes e empresários invistam menos nos descartáveis.

FS - A música tem um poder fantástico de transformar uma sociedade, então porque não usar isso como uma grande ferramenta de consciência moral, intelectual e educacional?
Precisamos continuar crendo que com o passar dos anos isso possa ir mudando.

FS - Quais são suas principais recomendações aos estudantes de música?
No Brasil começa-se a estudar música muito tarde. Graças a Deus, eu tive o privilégio de começar aos oito anos - até mesmo por que meu pai era músico e nossa família ja convivia com todo um “ritmo musical”.
O meu incentivo continua sendo aos estudos. Pode-se até ter sucesso, ou se fazer alguma coisa sem estudo, mas chegará um momento em que este fará falta e aí, quando a oportunidade chegar, você não estará pronto.
Quanto ao campo de atuação, reconhecimento profissional e financeiro, creio que isso se conquista com o tempo, como em qualquer profissão. Faço minhas as palavras que ouvi numa palestra de um grande compositor e pianista brasileiro: “o importante é que cada um de nós nos mantenhamos na fila, pois um dia nossa vez chegará”. (E.Villani-Côrtes). Isso é uma verdade!
Precisamos pensar também que quando a oportunidade bater a sua porta você precisa estar preparado, senão ela vai embora e creio mesmo que quem abre essa porta para nós é Deus!

FS - Você está com algum novo trabalho em fase de finalização?
Já tenho traçado um novo projeto musical . Eu diria que esse trabalho está em fase de desenvolvimento. Há repertório e estilo praticamente definidos, mas esse projeto será desenvolvido somente em 2010, até mesmo porque nesse momento precisei me concentrar um pouco mais na adaptação em todos os sentidos e outros contatos aqui nos Estados Unidos, mas com certeza assim que estivermos em fase de finalização estarei divulgando.

Contato:
margarethmiguel@hotmail.com
www.margarethmiguel.com.br

 

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